O que fazer em Angra do Heroísmo

Angra do Heroísmo é dos lugares obrigatórios no seu roteiro pelos Açores. Deixar de lado é perder uma das cidades mais históricas e bonitas de Portugal!

Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1983, Angra já foi a capital de Portugal em dois momentos da história do país.

Breve história

O arquipélago dos Açores foi descoberto por Portugal no período das grandes navegações, mais especificamente em 1427 (a primeira ilha descoberta foi a Ilha de Santa Maria). Por ser um ponto estratégico para navegações e comércio marítimo teve um rápido desenvolvimento.

Especificamente a Ilha Terceira, e Angra do Heroísmo, foi povoada na metade do século XV, tendo um forte crescimento devido à sua baía (a "angra"), que oferecia abrigo natural às caravelas. Tornou-se escala obrigatória na Carreira da Índia e no comércio de ouro e especiarias das Américas e África.

Tamanha era a sua relevância comercial e militar que, ainda no século XVI, o Rei D. João III elevou a vila à categoria de cidade, tornando-se a primeira dos Açores e sede do bispado de todo o arquipélago.

Entre 1580 e 1640 Portugal esteve sob o domínio de da dinastia Filipina (Filipes de Espanha). Nesta época, a a Terceira resistiu bravamente sob o comando de D. António, Prior do Crato. Inclusive, a Batalha da Salga (1581) ficou famosa pelo uso de gado bravio libertado nas praias para derrotar as tropas espanholas. A Ilha foi o último território português a ceder ao domínio filipino.

Foi nesta época que Angra foi, pela primeira vez, capital de Portugal. D. António, Prior do Crato, foi proclamado rei pelos portugueses contrários ao domínio espanhol e estabeleceu o seu governo de resistência na ilha Terceira. Assim, durante dois anos, a cidade funcionou como a sede da regência legítima e capital da resistência contra a União Ibérica.

Dando um salto na história e chegando ao século XIX, precisamente no período entre 1828 e 1834, Portugal viveu as Guerras Liberais. E aqui, pela segunda vez, Angra tornou-se a capital do reino de Portugal, bem como baluarte da causa liberal de D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil).

Após a vitória contra as forças absolutistas, a Rainha D. Maria II concedeu à cidade o título de "Muito Heróica e Sempre Leal Cidade de Angra", dando origem ao seu nome atual - Angra do Heroísmo, e também a condecorou com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Em paralelo a este período, Angra constituiu-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais, por Decreto de 1766, funções que desempenhou até 1832. Também foi sede da Academia Militar, de 1810 a 1832.

Já no século XX, em 1 de janeiro de 1980, um forte sismo (7,2 na escala Richter) destruiu grande parte do centro histórico (cerca de 80%). A reconstrução exemplar preservou integralmente o traçado urbano renascentista, o que levou a UNESCO a classificá-la como Patrimônio Mundial em 1983.

Angra do Heroísmo e o Monte Brasil

O que visitar em Angra

ALTO DA MEMÓRIA - erguido em 1856 para homenagear a passagem de D. Pedro IV de Portugal (D. Pedro I do Brasil) pela ilha. Há muita simbologia neste monumento, além da vista excelente da cidade de Angra do Heroísmo. No que toca à simbologia, a primeira pedra utilizada para a construção foi uma das que o Imperador pisou quando desembarcou na Ilha em 1832, e em segundo lugar, foi pelo fato de ser neste tempo que tivemos em Portugal a guerra civil. Do Alto da Memória tem-se a melhor vista do Monte Brasil.

JARDIM DUQUE DA TERCEIRA - um jardim clássico da Ilha, que começou a ser desenhado em 1882, com vasta flora - inclui plantas exóticas, tropicais e subtropicais. Na primavera é um presente aos olhos.

PAÇOS DO CONCELHO - Inaugurado em 1866 é um dos mais belos palácios municipais dos Açores. Seu Salão Nobre foi especialmente decorado para, à época, receber a visita de D. Carlos e D. Amélia. Para verificar o horário da visita e também eventos que acontecem periodicamente, veja o site oficial.

PALÁCIO DOS CAPITÃES-GENERAIS - o edifício teve sua construção determinada pelo rei D. Sebastião como um presente para a Companhia de Jesus. Com a expulsão das Ordens Religiosas, especialmente dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal, este estabeleceu uma nova organização centrada no Capitão-General, e o antigo colégio foi gradualmente se transformando em uma residência palaciana. Serviu, inclusive, de Palácio Real em dois momentos: com D. Pedro IV (1832) e D. Carlos I (1901). É neste local que o Presidente da República se hospeda quando visita a Ilha Terceira. Podem conhecer mais aqui.

SÉ CATEDRAL - também chamada de Igreja de São Salvador, é o maior templo religioso do arquipélago. Sua construção demorou 48 anos (começou em 1570) e no seu interior é possível ver uma obra em prata feita por artesãos de Angra do Heroísmo no século XVIII. Podem ver aqui os horários das celebrações.

ESTÁTUA DE VASCO DA GAMA - a estátua feita em bronze foi inaugurada em 2016 para homenagear Vasco da Gama, que no retorno da Índia em 1499 aportou em Angra. Vasco da Gama também ficou um mês em Angra ultrapassando o luto pelo seu irmão, que faleceu na Ilha. Fica em frente à Igreja da Misericórdia, junto do mar.

MUSEU DE ANGRA DO HERÓISMO - embora na sua nomenclatura fale em Angra do Heroísmo, neste Museu podemos ver toda a história dos Açores através de coleções de cerâmicas, mobiliário, pintura, dentre outros. No site oficial do Museu podem conferir os horários de funcionamento e também as exposições temporárias e outras atividades que decorrem ao longo do ano.

MONTE BRASIL - o monte é um vulcão submarino com 3km quadrados. Além da Fortaleza de São João Baptista, o Monte é um excelente local para exercícios físicos (caminhadas, corridas, bicicleta), para um picnic e também para levar as crianças para ver os animais. Do Monte Brasil temos uma vista linda de Angra.

FORTALEZA DE SÃO JOÃO BAPTISTA - construída durante a Dinastia Filipina, possui 4km e percorre todo o Monte Brasil, sendo a mais antiga fortaleza ocupada por tropas portuguesas de forma ininterrupta. Para visitar, confira os dias e horários de funcionamento aqui.

Todos estes monumentos/locais podem ser visitados caminhando. Para chegar no Monte Brasil e também no Obelisco do Alto da Memória temos subidas “consideráveis”. Por isso, se a sua ideia for não alugar um carro, pegue um táxi até o alto de um dos monumentos, e depois siga o dia caminhando.

Outro ponto a ter em atenção é o clima. Diz-se que nos Açores temos 4 estações do ano no mesmo dia, e por isso, se o Monte Brasil estiver descoberto de neblina, aproveite para ir na mesma hora! O mesmo vale para o Alto da Memória. Caso contrário, pode ser que não consigam pegar o tempo aberto e vista linda.

Quanto tempo ficar

Para explorar a Ilha Terceira, e não apenas Angra do Heroísmo, sugerimos 3 dias completos. Podem assim dividir o tempo entre Angra, Praia da Vitória, e o interior da Ilha (como Algar do Carvão, Serra do Cume).

Se preferirem aproveitar para ir à praia, descansar, acrescentem mais um dia pela Terceira.

Como chegar à Ilha Terceira

A forma mais fácil de chegar à Ilha Terceira é de avião. Há vários voos a partir de Portugal continental (Lisboa e Porto), das outras Ilhas do arquipélago, e também de outros países.

Em razão da Base das Lajes - que desde o período da ditadura os Estados Unidos da América utilizam - há voos diretamente dos EUA.

A partir das outas Ilhas também podem fazer o percurso de barco.

Neste post contamos sobre como ir e se locomover nas Ilhas.

Onde se hospedar

Sugerimos que se hospedem no centro histórico de Angra para facilitar a locomoção e visitar os monumentos sem precisar de carro/ônibus/táxi.

Das várias opções de hotel, amamos onde estivemos: o MEMÓRIA CHARMING HOTEL. Podem ler mais sobre ele no post especial que fizemos.


Dica especial: em Angra do Heroísmo está uma pastelaria chamada O FORNO - nela podem encontrar o tradicional bolo Dona Amélia - um bolinho gostoso feito com especiarias e que vale provar. O bolo/doce foi criado para homenagear a Rainha Dona Amélia após a sua passagem por Angra do Heroísmo. A pastelaria O Forno tem um texto que representa este momento, e reproduzo abaixo:

“Primeiro que tudo, houve a terra prestimosa; chegaram depois as gentes, que fabricaram os cereais; de longe das Índias - Orientais e Ocidentais - aportaram, mais tarde, as preciosas especiarias, gostos exóticos, aromas estranhos.

Portuguesmente, as gentes caldearam os elementos; e das mãos sábias, ternurentas e mágicas assomavam iguarias de descoberta.

Certo dia, D. Amélia, a Rainha, veio à ilha. As gentes da Terceira ofertaram-lhe os bolos melhores da rondura do seu horizonte. E em honra da Rainha se chamam agora, Donas Amélias. ”

Ternurenta - talvez esta seja a melhor palavra para explicar Angra do Heroísmo.

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