O que visitar em Coimbra - um guia completo da cidade
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A história da Cidade do Conhecimento
A cidade que hoje conhecemos e chamamos de Coimbra não foi escolhida ao acaso: pelo contrário, a localização para a criação da cidade foi estrategicamente pensada - uma localização privilegiada que permitia a comunicação com norte, sul, leste e oeste da Península Ibérica.
E pensando na localização, situada às margens do Rio Mondego, a cidade que para os romanos se chamava Aeminium, era o ponto central da estrada que ligava Olissipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga).
Posteriormente, com a queda do Império Romano e as sucessivas invasões por bárbaros e mulçumanos, a localização continuou a ser de extrema importância - o rio sempre foi uma barreira natural e facilitadora da defesa e, para além, o fato de ter a colina, permitia ver os invasores com alguma distância e ganhar tempo na defesa.
É por isso que, na Reconquista Cristã, Afonso Henriques - primeiro rei de Portugal - escolhe Coimbra como sede administrativa e política do país, sendo a primeira capital e berço da primeira dinastia (a maioria dos reis de Borgonha nasceu e governou).
Este período importantíssimo da história de Portugal fez com que Coimbra herdasse estruturas administrativas e também sociológicas - na Alta (topo da colina) tínhamos o reduto do poder político, religioso e intelectual (quando falarmos dos monumentos vão confirmar isso), e na Baixa, junto ao rio, estava a parte comercial e artesanal.
Todo este patrimônio histórico e cultural levou à classificação pela UNESCO da Universidade de Coimbra - Alta e Sofia como patrimônio mundial em 2013. Saiba mais sobre os patrimônios da humanidade em Portugal neste post.
Localização geográfica
Coimbra está situada na região Centro de Portugal e fica a 200km de Lisboa, e 120km do Porto - as duas maiores cidades do país.
Embora não possua aeroporto internacional, está muito próxima dos 2 grandes aeroportos portugueses e junto à autoestrada A1. Pode -se chegar de ônibus, trem ou de carro particular (ou você pode nos contratar para conhecer a cidade e/ou fazer seu transfer - fale conosco).
Dica extra: os comboios rápidos (Alfa Pendular e Intercidades) param na estação Coimbra-B. No entanto, existe uma ligação de comboio urbano para a estação Coimbra-A (no centro da Baixa) que é gratuita para quem já tem o bilhete de longo curso. Vale a pena para poupar tempo e stress.
Está margeada pelo rio Mondego, que nasce na Serra da Estrela e deságua em Figueira da Foz. O rio é navegável (há passeios), mas não há ligação com outras cidades por ele.
Agora que você já sabe a história da cidade e também onde fica, vamos ao que visitar!
Universidade de Coimbra
O que visitar em Coimbra?
Deixamos aqui uma lista de atrações para conhecer na Cidade do Conhecimento:
Universidade de Coimbra – Alta e Sofia (e seu complexo)
Biblioteca Joanina
Mosteiro e Igreja de Santa Cruz
Sé Velha ou Catedral de Santa Maria de Coimbra
Sé Nova ou Catedral de Coimbra
Café Santa Cruz
Igreja de São Tiago
Porta de Barbacã
Mosteiro de Santa Clara-a-Nova
Museu Nacional Machado de Castro
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra
Mosteiro de Santa Clara-a-Velha
Portugal dos Pequenitos
Parque de Santa Cruz (Jardim da Sereia)
Convento de São Francisco
Carmelo de Santa Teresa - Memorial da Irmã Lúcia
Escadas Monumentais
Universidade de Coimbra - Alta e Sofia
A Universidade de Coimbra é dos lugares obrigatórios para se visitar na cidade. É nela que se encontra a Biblioteca Joanina, o Paço das Escolas, a Sala dos Capelos, a Sala dos Exames Privados e a Capela de São Miguel.
Para visitar todos estes espaços é obrigatório comprar um bilhete - compre aqui da bilheteria oficial. Tenha atenção que para a Biblioteca Joanina há horário previamente marcado, e por isso, o melhor é adequar a compra ao horário que melhor lhe convém para a visita da Biblioteca, e a partir disso, visitar os demais espaços.
A Biblioteca Joanina é o ex libris da Universidade (na minha opinião) e toda a visita é feita acompanhada por um guia interno do local. Construída no século XVIII, por D. João V, com arquitetura barroca, possui 50.000 exemplares de livros, dentro dos quais há várias edições que são raras.
Seja pela arquitetura, pelas estantes em madeira exótica, pela pintura no teto, pela talha dourada ou pelo mármore, a verdade é que é impossível ficar indiferente à beleza do local. Tanto é assim que o jornal The Telegraph já a elegeu como a Biblioteca mais espetacular do mundo!
Na Sala dos Capelos se realizam as principais cerimonias da vida acadêmica, e antigamente foi a Sala do Trono de Afonso Henriques. Nela estão expostas pinturas de todos os reis portugueses - com exceção dos reis da Dinastia Filipina (e sabemos a razão ahahah).
A Sala do Exame Privado é a antiga Câmara Real. A sala possui este nome, pois nela se realizavam provas orais à portas fechadas onde apenas ficavam o estaudante e o júri (ainda bem que isso mudou!).
Na Real Capela de São Miguel há um impressionante órgão que foi construído em 1733 por um monge beneditino - Dom Manuel de São Bento - cuja proporção (é enorme) face à capela traduz a “grandeza” da corte de D. João V. Além do órgão, a capela é ainda mais bonita por ser revestida por azulejos e elementos do estilo manuelino.
Mosteiro e Igreja de Santa Cruz
O local já foi a casa conventual mais influente da cidade, e na Igreja de Santa Cruz é possível visitar os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal - D. Afonso Henriques e D. Sancho I (a visita à Igreja é gratuita, mas para visitar os túmulos é preciso pagar um bilhete).
O Mosteiro, por sua vez, foi de grande importância para os estudos teológicos, e a vasta biblioteca que possuía foi motivo de visita e estudo por parte de Luís de Camões e Santo António.
Igreja de São Tiago
Uma das Igrejas mais antigas, com obras que se iniciaram em 957, é um exemplo da arquitetura românica.
Reza a lenda que o apóstolo São Tiago terá aparecido armado como um cavaleiro e oferecido a chave da cidade de Coimbra aos cristãos - e por isso dedicada a este Santo. Vale recordar que nesta época (início da construção do primeiro templo) os mulçumanos estavam em Portugal e dominavam o território do Centro ao Sul do país.
Mosteiro de Santa Clara-a-Nova
Depois de sofrer com as inundações do rio Mondego, D. João IV decidiu pela construção de um novo Mosteiro dedicado à Santa Clara, e por esta razão, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha deixa de ser habitado - e ficam suas ruínas que ainda hoje podem ser vistas.
O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha foi mandado construir pela Rainha Santa Isabel em 1314, e face à sua ligação tão próxima, deixou ordens para que fosse sepultada neste Mosteiro. No entanto, diante da construção do novo mosteiro, D. Isabel de Aragão - a Rainha Santa - teve seu túmulo trasladado para a Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
A Rainha Santa Isabel é a padroeira de Coimbra, e a cada dois anos, nas festas da cidade, a imagem da Rainha Santa Isabel sai em procissão pelas ruas em um percurso que liga o Mosteiro até a Igreja de Santa Cruz.
O Mosteiro é cuidado pela Confraria da Rainha Santa Isabel.
Carmelo de Santa Teresa Memorial Irmã Lúcia
A Irmã Lúcia foi uma das Pastorinhas que vivenciou as aparições de Nossa Senhora de Fátima no início do século XIX. A Irmã dedicou sua vida aos ensinamentos religiosos e veio a falecer em Coimbra, no Carmelo de Santa Teresa, em 2005.
Embora seus restos mortais estejam atualmente enterrados no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima, no Memorial é possível apreciar uma réplica de sua cela (local onde vivia) e alguns objetos pessoais e fotografias.
Para quem quer fazer/conhecer a Rota Carmelita, o Carmelo de Santa Teresa é o ponto de partida para o percurso que segue até Fátima (111km).
Pedro e Inês - o romace da cidade
Para além de pontos turísticos, Coimbra abriga uma estória de amor digna de filme (e que efetivamente rendeu um filme em 2018, cujo trailer pode ver no youtube). A estória de amor foi trágica, mas não deixa de ser bela. Vamos então à estória!
O Infante D. Pedro (e futuro D. Pedro I de Portugal), filho de D. Afonso IV, se casou com D. Constança, por procuração, para selar laços de Portugal com Castela. Apenas 4 anos depois deste casamento formal que o casal se casou fisicamente na Sé de Lisboa.
D. Constança, de Castela, se muda para Portugal com suas damas de companhia, e dentre estas, estava Inês de Castro. O Infante D. Pedro passa a se relacionar - uma relação extraconjugal - com D. Inês de Castro, vindo a ter filhos desta união.
O romance era visto como proibido aos olhos da corte de D. Afonso IV, pois ameaçava a estabilidade e a independência do reino em razão das fortes influências de Castela.
Por conta desta “proibição”, D. Pedro e D. Inês vivenciavam “secretamente” seu romance com encontros na Quinta das Lágrimas - onde hoje existe um hotel de luxo, mas que preserva os jardins do local. A Quinta está próxima do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e reza a lenda que D. Pedro colocava pequenos barcos de madeira com cartas na Fonte dos Amores (e este percorria pela água de um sistema de canais que ali existia) para que D. Inês as recebesse no Mosteiro (onde residia).
Quando D. Constança falece, D. Afonso IV teme pela união de D. Pedro com D. Inês. Por esta razão, D. Afonso IV contrata os nobres Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para que matem Inês, se aproveitando da ausência de D. Pedro na cidade.
E com ordens para executar Inês, os três nobres a matam na Quinta das Lágrimas. Popularmente gerou-se a crença de que as lágrimas de Inês deram otigem à Fonte das Lágrimas e que as algas vermelhas que são visíveis nas rochas da fonte são as manchas de sangue da “Rainha Morta” que nunca puderam ser apagadas.
Ao regressar para Coimbra, D. Pedro I descobre sobre a execução de Inês, mas se vinga apenas quando sobe ao trono como Rei - após a morte de seu pai. E a vingança foi executada de forma fria e calculada!
D. Pedro I mandou executar os assassinos de Inês de Castro e arrancar os corações destes. Para completar, mandou exumar o corpo de Inês e coroou o cadáver como Rainha de Portugal, forçando a nobreza a beijar sua mão como sinal de lealdade (esta parte é descrita nos livros, mas não há provas).
Questionado sobre coroar Inês após o seu falecimento, D. Pedro I informa que casou-se com Inês quando esta ainda estava viva. Este fato foi confirmado pelo Padre que celebrou o casamento em segredo, dando legitimidade e legalidade ao casamento.
A estória de D. Pedro I e D. Inês de Castro é uma tragédia política e romântica que ecoa nas fontes e jardins da cidade.
Embora o romance tenha sido vivido mais intensamente em Coimbra, os túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro estão no Mosteiro de Alcobaça - mas isso é assunto para outro post!
CURIOSIDADE: Em razão desta estória nasce a expressão comumente usada para dizer que não há mais o que fazer em uma situação específica: “Inês é morta”. Sabiam disso?
Fado de Coimbra
O Fado de Coimbra, ou Canção de Coimbra, é uma expressão acadêmica e masculina, estando ligada de forma muito próxima à Universidade e aos seus rituais de passagem. Assim, a música está focada na vida estudantil, no amor cortês, na saudade da cidade e na intervenção política. É possível ouvir o Fado de Coimbra no Café Santa Cruz.
O ponto alto e mais marcante é a Serenata Monumental acontece no Largo da Sé Velha, em maio, que marca o início da Queima das Fitas. É o momento máximo da tradição onde o trinar das cordas e o “traçar da capa” dos finalistas interrompe o silêncio da multidão.
Diferenças do Fado de Coimbra para o Fado de Lisboa:
Intérpretes: O Fado de Lisboa pode ser cantado por homens ou mulheres; já o Fado de Coimbra apenas é cantado por homens (estudantes ou antigos estudantes da Universidade de Coimbra);
Temáticas: Em Lisboa as letras focam-se no quotidiano, na fatalidade, nos sentimentos populares; Em Coimbra a vida acadêmica é o centro da letra - seja a saudade dos tempos de estudante, os amores vividos na cidade, a intervenção política e social;
Ambiente: O Fado de Lisboa é tocado em ambiente mais íntimos, como casas de fado e tabernas; o Fado de Coimbra é essencialmente uma serenata e por isso, cantado ao ar livre - o Largo da Sé Velha é um dos locais (e também o Café Santa Cruz, que mencionamos acima);
Instrumentos: a Guitarra Portuguesa de Lisboa é afinada um tom acima da de Coimbra e baseia-se em composições binárias. A Guitarra Portuguesa de Coimbra, por sua vez, tem um formato mais “bojudo” e é afinada um tom abaixo de Lisboa, conferindo sonoridade mais grave, sombria e melancólica (ideal para serenatas ao ar livre), com composições ternárias e andamentos mais lentos;
Interação com o público: Em Lisboa o/a Fadista pode (e deve) ser aplaudido/a com palmas; em Coimbra o público deve manter o silêncio total, e o “aplauso” estudantil é feito através de um pigarrear ou “tossidela”.
Onde comer em Coimbra?
Antes de sugerir alguns restaurantes, é importante mencionar que a região é reconhecida como um território de excelência culinária, tendo sido distinguida como Região Europeia de Gastronomia em 2021.
A gastronomia de Coimbra combina produtos da serra, do rio e do mar, com uma influência profunda das receitas desenvolvidas nos antigos conventos da cidade.
Os pratos típicos da cidade (e da região são):
Chanfana - carne de cabra velha coberta com vinho tinto abundante, alho, louro e sal, sendo depois cozinhada lentamente em forno a lenha por várias horas.
Lampreia - pescada no rio Mondego é normalmente preparada em arroz de cabidela (utilizando o próprio sangue) ou à bordalesa. É um prato sazonal que pode ser encontrado no inverno/primavera.
Bacalhau à moda de Coimbra - feito com batatas, ovos e azeite regional.
Embora não seja um prato típico, vale mencionar o Arroz Carolino - um arroz 100% português produzido no Baixo Mondego e serve como base das receitas.
Para provar estes e outros sabores, visite:
O Cordel Maneirista (o meu predileto, te conto mais neste post) - pode acessar o menu aqui;
A Taberna - um dos mais recomendados para comer chanfana;
Maria Rio - possui dois pratos muito recomendados: a “Chanfana de bochechas” e o “Bacalhau a rio” ;
Restaurante Nacional - o arroz de lampreia é muito conhecido;
Solar do Bacalhau - considerado o “templo” do bacalhau na cidade possui recomendação Michelin (Bib Gourmand);
D. Duarte II - pratos muito bem servidos e o bacalhau muito recomendado;
Taberna d’Almedina - com um “Balhacau à Lagareiro” único;
Zé Manel dos Ossos - a tasca mais famosa de Coimbra, onde a especialidade são os "ossos" (ossos do espinhaço cozidos e bem temperados). Se destacam, ainda, a feijoada de javali e a sobremesa "vomitado" (um doce de ovos e amêndoa);
Casa Pinto - tasca muito conhecida e famosa pelo seu “abafadinho” (vinho licoroso), que muitas vezes é servido em “packs” com o “traçadinho” (uma mistura de vinho tinto e água com gás).
Estas são algumas sugestões, mas há mais a se descobrir na cidade!
Recomendamos a reserva dos restaurantes, e pode nos contatar para nosso serviço de concierge - fale conosco pelo whastapp.
Na parte dedicada às sobremesas e doces típicos, não deixem de experimentar o Pudim das Clarissas, criado pelo Chef Paulo Queirós do restaurante O Cordel Maneirista, e também os Pastéis de Santa Clara - doce conventual que está em todas as pastelarias e cafés da cidade, mas recomendamos provar o da Briosa Coimbra.
Pastel de Santa Clara - O Cordel Maneirista
Perguntas frequentes sobre Coimbra:
Coimbra vale a pena visitar?
Sim. A cidade é famosa pela sua universidade histórica e atmosfera estudantil.
Quantos dias ficar em Coimbra?
1 a 2 dias são suficientes para ver os principais pontos turísticos. Sugerimos dormir uma noite para aproveitar e ouvir o Fado de Coimbra.
Qual é a principal atração de Coimbra?
A Universidade de Coimbra – Alta e Sofia e a Biblioteca Joanina.